ARQUIVOS DE ADALBERTO PESSOA

26 de junho de 2010

A Quinta Força (parte 7) – A quarta Grande Força: a Psicologia Transpessoal

Filed under: Espiritualidade,Filosofia,Psicologia — arquivosdeadalberto @ 0:46

As Contribuições da Quarta Grande Força:

A Psicologia Transpessoal.

  “Devo também dizer que considero a Psicologia Humanista, ou Terceira Força em Psicologia, apenas transitória, uma preparação para uma Quarta Força ainda ‘mais elevada’, transpessoal, trans humana, centrada mais no cosmos que nas necessidades e interesses humanos, indo além do humanismo, da identidade, da individuação e quejandos (…). Necessitamos de algo ‘maior do que somos’ ”.

Maslow

Finalmente chegamos à abordagem teórica que toma como objeto de estudo da Psicologia os aspectos da experiência humana relacionados à espiritualidade e à ampliação da consciência (Júnior, 1993).

A Psicologia Transpessoal irá preocupar-se com temas como (1) estados alterados da consciência, (2) experiência culminante, (3) ampliação e transcendência dos estados ordinários da consciência, (4) experiência mística, etc (Nagelshmidt, 1996).

Segundo Júnior (1993), o interesse e o reconhecimento da importância desses temas é imemorial nas culturas e sociedades humanas. Embora esse interesse, assim como a visão de homem e universo a ele associada, sejam com justiça habitualmente relacionados ao campo da Religião e da Filosofia, é igualmente justo e apropriado, sob uma ótica mais atual, considerar grande parte da produção cultural desenvolvida nessa área como pertencente ao campo do que hoje chamamos Psicologia.

Ainda segundo o autor, abstraída uma leitura mais ingênua dos aspectos mitológicos, doutrinários e ritualísticos específicos, a maioria das religiões e tradições espirituais acabam propondo um modelo teórico-operativo da psique humana (ou seja, uma teoria da personalidade) e tecnologias de mudança da personalidade direcionadas ao parâmetro considerado mais saudável pelo modelo adotado (ou seja, algo como um tipo de “psicoterapia”).

Este ponto de vista de aceitar as tradições espirituais como psicologias, e mais ainda, psicologias transpessoais, é ponto pacífico dentro do Movimento Transpessoal e, mesmo, fora deste, encontra larga aceitação, em grande parte graças ao trabalho de Jung, que em suas pesquisas sobre a Alquimia e as religiões orientais e ocidentais, revolucionou a concepção cientificista com que  tais tradições eram encaradas. Assim vemos, hoje, populares manuais acadêmicos de teorias da personalidade, largamente utilizados fora do círculo transpessoal (como o de Fadiman e Frager, 1979), e mesmo de autores não identificados com a perspectiva transpessoal (como Lindsay e Hall, 1984), dedicarem capítulos às chamadas Teorias Orientais.

Essas observações são confirmadas por Nagelshmidt (1996), ao acentuar que “abstraídas certas diferenças quanto a conteúdos específicos, os modelos da psique humana proposto pelas grandes religiões e tradições espirituais como o Judaísmo, o Budismo, o Cristianismo, etc., apresentam grandes semelhanças quanto à forma através da qual encaram o desenvolvimento do psiquismo, merecendo portanto uma consideração mais cuidadosa por parte dos psicólogos”.

Como veremos, então, a principal contribuição da Quarta Força para a formação de uma Psicologia Espírita, é a valorização dos aspectos ligados ao objeto de estudo do Espiritismo, como a alma humana e a experiência da espiritualidade. Como o Espiritismo, a Psicologia Transpessoal enfatiza os aspectos que unificam as diferentes religiões e filosofias espiritualistas.

Os principais nomes da Psicologia Transpessoal são (1) o psiquiatra canadense Richard Maurice Bucke, (2) o maior dos psicólogos americanos, Willian James – que muito contribuiu com seus estudos sobre “As Variedades da Experiência Religiosa” (título de seu livro de 1902) e (3) o genial  e extraordinário  Carl Gustav Jung, fundador da Psicologia Analítica e realmente o primeiro psicólogo Transpessoal, stricto sensu.

Jung foi um psicólogo adiante de seu tempo; em muitas de suas revolucionárias concepções antecipou em décadas diversas tendências assumidas hoje pelo Movimento Transpessoal, sendo um desafio, neste curto estudo, querer traçar ainda que um resumo de suas contribuições ao estudo das dimensões transcendentes da consciência – ou do inconsciente, como ele preferia dizer. Apenas para citar, noções como arquétipo, inconsciente coletivo, psique objetiva, Self, sincronicidade, entre outras, assim como seus já referidos estudos sobre Religião e Alquimia – e mais, Parapsicologia, Astrologia, I-Ching e conhecimento Oriental – encontram-se, e por certo se manterão por muito tempo, na ordem do dia para os psicólogos transpessoais deste e do futuro século. A sua filiação póstuma como membro honorário e fundador é disputada tanto pelo Movimento Humanista como pelo Transpessoal (Júnior, 1993).

Segundo minha visão pessoal, Jung é o pesquisador que lançou as mais sólidas bases  estruturais para a elaboração teórica e prática de uma Psicologia Transpessoal que considere a alma humana um importante aspecto do ser, a ser compreendido.

A Psicologia Transpessoal, como um todo, é portanto a que mais se aproxima de um modelo de Psicologia de orientação Espírita, e é portanto, a que mais tem contribuições a lhe oferecer, segundo a minha hipótese pessoal.

Entretanto, quando tomamos propriamente todos os desenvolvimentos atuais da ciência Espírita, observamos que uma Psicologia assentada nas bases dessa ciência, ainda avança diversos degraus em relação às outras abordagens teóricas, e mesmo em relação à Psicologia Transpessoal.

O Behaviorismo, ou a Psicologia Comportamental, como vimos, define o seu objeto de estudo como sendo o comportamento do organismo como um todo. Num primeiro momento (Behaviorismo Metodológico de Watson) seu conceito de ciência é baseado num paradigma filosófico mecanicista, positivista e pragmático. Num segundo momento (Behaviorismo Radical de Skinner) o paradigma mecanicista e positivista, dá lugar a um funcionalismo operacionalista e, ainda, pragmático. A primeira (Watson) é uma Psicologia Materialista em sua essência, enquanto a segunda (Skinner) é materialista em suas implicações, já que aceita a existência de um ente abstrato (a mente), mas não a sua ação sobre a realidade concreta. Mesmo assim, essa Primeira Grande Força contribui com uma tecnologia comportamental para a psicologia, útil à atividade psicoterapêutica. Além disso, o seu modelo operacionalista ajuda a descrever e entender os mecanismos das Leis de Ação e Reação, e de Causa e Efeito subjacentes aos conceitos de Carma e Reencarnação (da Doutrina Espírita), dentro de um contexto funcionalista, mais flexível a uma intervenção ativa por parte do homem, e compatível com o dinamismo conceitual da visão kardecista.

A Segunda Grande Força – a Psicanálise – define o objeto de estudo da Psicologia como sendo o inconsciente. É a primeira das Quatro Grandes Forças a oferecer as bases de uma teoria consistente da personalidade, abrindo com isso o primeiro caminho para a Psicologia retomar contemporaneamente a alma humana como o seu objeto de estudo . Mas, faltou à Psicanálise assumir esse objeto de modo mais expresso e definitivo.

A Terceira Grande Força – a Psicologia Humanista – ao compreender que a Psicologia deveria ser o estudo da subjetividade humana, além de contribuir com a compreensão e a pesquisa dos aspetos mais construtivos do ser, tornou-se uma espécie de intermediária para o que veio depois, a Quarta Grande Força – a Psicologia Transpessoal – que então assume, de maneira expressa o estudo da dimensão espiritual do ser humano. Transpessoal, aqui, significa transcender o meramente pessoal, para ir atrás “do que está mais além”.

Na Quarta Grande Força, a Psicologia está muito próxima de definir como seu objeto de estudo a alma humana. Porém, acredito que isso só será realmente realizado de forma consistente e sistemática com a contribuição do Espiritismo. É nesse sentido que o Espiritismo tem a sua maior contribuição a oferecer à Psicologia. Com o Espiritismo, a Psicologia retoma o seu objeto de estudo original, como era definido pelos gregos antigos, ou seja, a alma humana, porém agora contextualizada às mais recentes descobertas da ciência moderna.

 (continua…)

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: