ARQUIVOS DE ADALBERTO PESSOA

26 de junho de 2010

A Quinta Força (parte 6) – A Terceira Força ou Psicologia Humanista

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As Contribuições da Terceira Grande Força:

A Psicologia Humanista.

  “Tenho certeza que nossas experiências terapêuticas e grupais lidam com o transcendente, o indescritível, o espiritual. Sou levado a crer que eu, como muitos outros, tenho subestimado a importância da dimensão espiritual e mística. (…)

… a grande vantagem da aprendizagem centrada na pessoa, que nos impele para além do que sempre sonhamos, para áreas nas quais jamais havíamos esperado chegar”.

Carl R. Rogers

A psicologia humanista surgiu na década de 50 e início dos anos 60. Os nomes mais conhecidos da Psicologia Humanista são Carl Rogers, Abraham Maslow e Anthony Sutich. No contexto desse estudo, a principal contribuição da Psicologia Humanista para a Psicologia Espírita, é a valorização das características morais e éticas criativas do ser humano, que num termo preciso são “qualidades e capacidades humanas por excelência” (Nagelshmidt, 1996), entre as quais podemos citar: valores, identidade, coragem, responsabilidade, criatividade e motivação para atualizar os seus próprios potenciais positivos.

·       Resumo Teórico da Psicologia Humanista

Segundo Nagelshmidt (1996) a psicologia humanista procura encarar o ser humano como um todo complexo e organicamente integrado, propondo portanto uma visão holística deste ser humano. Dentro desta visão holística, o ser humano seria como que marcado pela necessidade – a qual, aliás, seria intrínseca a todos os organismos vivos – de atualizar seus potenciais e tornar-se a totalidade mais complexa, organizada e autônoma de que for capaz.

Talvez, afirma a autora, por causa desta ênfase na necessidade do desenvolvimento das melhores capacidades e potencialidades dos seres humanos, a Psicologia Humanista é também conhecida pelo nome de “Movimento do Potencial Humano”. Daí decorre também uma característica muito interessante da Terceira Força: ao invés de tentar descrever e elaborar teorias sobre distúrbios psicológicos e seu tratamento, reservando à saúde mental a conotação essencialmente negativa de ausência de doenças, os psicólogos humanistas irão definir a saúde mental ótima como o desenvolvimento e aquisição de certas características especificamente humanas tais como aceitação de si mesmo, espontaneidade, empatia, capacidade de resistir a influências  provenientes do meio social, capacidade de manter relações interpessoais significativas, criatividade, etc. Por isso, além da Psicologia Humanista se aproximar do Espiritismo pela via dos fins morais e éticos construtivos, observa-se uma concordância com a noção humanista de potencial para a auto-organização e para a auto-realização, e o conceito de “Lei do Progresso” na doutrina kardecista e o livre-arbítrio na visão Cristã como um todo. Nesse caso, observamos que para o homem progredir e exercer o seu livre-arbítrio, há a necessidade de uma prontidão psicológica para tal, que na Psicologia Humanista, é representada pelo conceito de “potencial para a auto-organização”. Esse mesmo fato é observado na Psicologia Profunda de Jung, quando ele propõe que a psique possui uma propriedade psicológica de auto-regulação.

Resumindo: Vimos que para o Behaviorismo, a Psicologia é a ciência do comportamento e para a Psicanálise, a Psicologia tem como objeto de estudo o inconsciente. Para a abordagem Humanista, a Psicologia é a ciência que estuda a subjetividade humana. Os potenciais humanos aos quais se refere a Psicologia Humanista irão, quando desenvolvidos, permitir que o ser humano possa vir a se localizar  melhor frente a certas perguntas essenciais que lhe serão colocadas e que se referem ao sentido e significado de sua própria vida, bem como das metas existenciais que se propõe atingir. Estas perguntas essenciais são fundamentalmente três: (1) “Quem sou eu?”; (2) “De onde vim?”; (3) “Para que direção estou me encaminhando?”. Temos assim, um terceiro ponto de contato entre a Psicologia Humanista e uma Psicologia de orientação Espírita, qual seja, a preocupação com o questionamento e a reflexão dos temas existenciais significativos da vida humana. Não à toa, podemos afirmar que a Doutrina Espírita é em essência uma Doutrina Humanista e Existencialista.

Na Psicologia Humanista, considera-se que o desenvolvimento dos próprios potenciais pode fazer com que as pessoas venham a reconhecer a possibilidade de se atingir a transcendência, ou seja, de se ultrapassar certos limites já conhecidos da condição humana, permitindo um contato com “algo” que é sentido como se encontrando além da experiência humana ou pessoal comum. É a partir desta possibilidade de transcendência, ligada a uma busca de crescimento que poderíamos denominar de “espiritual”, que surge a Psicologia Transpessoal, a qual, pode ser considerada uma evolução natural da Psicologia Humanista (Nagelshmidt, 1996).

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