ARQUIVOS DE ADALBERTO PESSOA

26 de junho de 2010

A Quinta Força (Parte 4) – A Segunda Força na Psicologia: A Psicanálise

Filed under: Espiritualidade,Filosofia,Psicologia — arquivosdeadalberto @ 0:24

As Contribuições da Segunda Grande Força na Psicologia:

A Psicanálise ou a Psicologia do Inconsciente

A psicanálise, elaborada ao longo de investigações e reflexões ininterruptas de Sigmund Freud (1856-1939) que se estendem da última década do século XIX à terceira do século XX, apresenta tal riqueza e passou por tantas reformulações que vem admitindo as mais variadas leituras e sendo objeto de um trabalho exegético que muito se assemelha ao que os teólogos fazem em relação ao livro Sagrado (Figueiredo, 1991).

Algumas dessas leituras sublinham e desenvolvem certos aspectos que revelam a presença da matriz de pensamento funcionalista e organicista. Convém assinalar, porém, que a obra de Freud é tributária de diversas tradições. Há tradições filosóficas; há tradições filológicas, teológicas, e místicas (realçadas pela aproximação da psicanálise com a hermenêutica e com a lingüística). Por fim, há tradições científicas, que são as mais explicitadas.

·       Resumo da teoria psicanalítica

É recomendável um resumo sumário da teoria psicanalítica clássica, apenas para situar alguns dos seus conceitos nesse trabalho. Refere-se a Psicanálise a (1) um padrão muito complexo de teorias sobre o desenvolvimento emocional dos seres humanos e (2) a uma forma de tratamento baseado em parte nestas idéias teóricas (Nagelshmidt, 1996).

A riqueza teórica da Psicanálise, pode ser apreciada – segundo Nagelshmidt (1996) – através de sua proposta teórica de divisão da Psique (ou de divisão do aparelho psíquico da mente) em três instâncias: o id, depositário do instinto sexual, o ego, a mente consciente e racional, e o superego ou consciência moral. Nesse sentido, a Psicanálise representa uma combinação de uma teoria de motivação, uma teoria cognitiva e uma teoria sócio-psicológica: o id contém forças emocionais e motivacionais básicas, o ego corresponderia ao sistema cognitivo e o superego ou consciência moral seria a internalização dos valores da família e da sociedade em geral.

Para a Psicanálise, os distúrbios mentais seriam causados por conflitos entre estas três instâncias da vida psíquica. Assim, sendo, a terapia psicanalítica parte do princípio de que se as pessoas pudessem ter acesso a idéias e conflitos reprimidos em seu inconsciente, poderiam encará-los com mais objetividade e clareza. Para recuperar o material reprimido, a Psicanálise fez uso de duas técnicas  principais: a associação livre e a análise dos sonhos.

A Psicanálise, portanto, seria essencialmente uma teoria psicológica e um método terapêutico derivado dessa teoria, o qual visaria diminuir o sofrimento  causado pela não elaboração de certos conflitos. Tais conflitos fazem com que materiais importantes sejam reprimidos e tornem-se inconscientes, sem por isso deixarem de influenciar o comportamento e a experiência dos seres humanos.

A recuperação desses materiais, através do “insight” adquirido durante a terapia, tornaria os indivíduos mais aptos a manejar sua vida psicológica e os conflitos inevitáveis decorrentes de sua condição humana (Nagelshmidt, 1996). Deve-se enfatizar, que esse sintético resumo, refere-se às concepções da Psicanálise clássica freudiana. Desde a fundação da Psicanálise, por Freud, até os dias atuais, muitos conceitos novos, influências e modificações fizeram dessa ciência, um campo dinâmico de produção de conhecimentos.

·       A importância da Psicanálise nesse estudo

O objeto de estudo da Psicologia, dentro de uma orientação psicanalítica, é o inconsciente. A Freud coube o mérito de ser o primeiro a levar a sério a noção de inconsciente e, assim, revelar-lhe a estrutura (Reis, 1984).

O inconsciente já era conhecido dos filósofos antigos e dos místicos. Freud não o descobriu, por assim dizer; o seu diferencial, foi a operacionalização de recursos teóricos e práticos, em contexto terapêutico, para lidar com o inconsciente, a partir do estudo deste, e de sua maior compreensão. Freud sistematizou um método de pesquisa do inconsciente compatível com as exigências da inteligibilidade científica, abrindo um caminho novo para o estudo da Personalidade. Sabe-se, que ele realizou esse projeto lado a lado com dois outros espíritos igualmente inovadores: Carl Gustav Jung e Wilhelm Reich.

Juntos Freud, Reich e Jung centraram seus estudos da personalidade tomando como ponto focal o inconsciente – fato esse, que une os três em uma identidade.  Isso, que hoje pode parecer banal representou para a Psicologia, uma revolução equivalente àquela efetuada por Copérnico na Astronomia, e por Darwin na Antropologia. Copérnico retirou o homem do centro do universo. Darwin destronou-o, ao situá-lo na cadeia animal e Freud revelou o inconsciente  (aquela parte que o sujeito ignora de si mesmo), erigindo-o como predra fundamental sobre o qual se apóia o edifício da Personalidade. Segundo Freud, essas foram “três feridas profundas na auto-estima da humanidade” (Reis, 1984) – as três grandes feridas narcísicas do ser humano.

O aspecto fundamental que acredito ser importante sublinhar nesse estudo, e que de fato, parece ser o ponto central da contribuição Psicanalítica à elaboração de uma Psicologia Espírita é o seguinte: ao tomar o inconsciente como objeto de estudo da Psicologia (e com isso inaugurando um consistente estudo da Psicologia da Personalidade, e mesmo da Psicologia Contemporânea como hoje a conhecemos), a Psicanálise é a primeira das abordagens teóricas a dar um passo decisivo para a Psicologia retomar o seu objeto de estudo original – a alma humana – segundo os parâmetros que regem a conduta científica, como compreendida na contemporaneidade.

Para entender essa hipótese, teremos que levantar todo um apanhado histórico da Psicologia, tal como era entendida pelos gregos antigos, e ao mesmo tempo penetrar rapidamente no complexo labirinto das tradições místicas e gnósticas que estão na origem do pensamento aqui proposto, e que influenciaram parcialmente a Psicanálise, especialmente no que diz respeito ao tronco judaico-cristão de Freud.

(continua…)

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: