ARQUIVOS DE ADALBERTO PESSOA

24 de junho de 2010

A Quinta Força (Parte 2) – História da Psicologia

Filed under: Espiritualidade,Filosofia,Psicologia — arquivosdeadalberto @ 23:52

História da Psicologia

         Um breve esboço crítico da história da Psicologia nos apresenta um percurso evolutivo, que o Espiritismo facilmente identifica com o seu conceito de Lei do Progresso. A Lei do Progresso, diz respeito a um movimento organizativo dos acontecimentos no Universo, que postula que os mesmos tendem a se desenvolver dentro de um percurso de constante progresso construtivo. Na esfera das relações humanas, tal disposição se processa tanto no campo das suas relações sociais, como do ambiente físico, e do seu desenvolvimento psicológico geral e espiritual. Assim, de forma genérica, é possível apreender a Lei do Progresso em diversos aspectos da natureza e da fenomenologia humana.

         Segundo uma hipótese particular, a Lei do Progresso no percurso histórico da Psicologia Científica Contemporânea, seria marcada pela transição gradual de uma posição teórica e conceitual materialista da visão de ser humano, para uma concepção espiritualista e transcendental do mesmo. A linha de raciocínio a seguir objetiva clarificar essa proposição.

         Tomando como pressuposto a classificação do percurso histórico da Psicologia proposto por Abraham Maslow e seus colaboradores (Júnior, 1993), temos que a Psicologia se desenvolveu e contemporaneamente se estabelece a partir de 4 grandes correntes, ou movimentos articuladores de escolas ou, como preferiram chamar esses estudiosos, 4 grandes forças. As 4 Forças da Psicologia, de acordo com essa leitura, são o Behaviorismo (Primeira Força), a Psicanálise (a Segunda Força), a Psicologia Humanista (Terceira Força) e a Psicologia Transpessoal (Quarta Força).

         Cada uma dessas escolas teóricas em Psicologia possuem uma linha de fundamentação epistemológica e pressupostos filosóficos que as legitimam enquanto ciência. No interior de seus corpos doutrinários subjaz uma concepção específica do ser humano, sua natureza, constituição e organização. Para cada escola teórica, encontra-se implícito uma visão de mundo, mais ou menos condicionada pela visão pessoal de mundo e de seres humanos, dos autores que lhes deram origem. Dessa forma, a Psicologia Científica Oficial não possui um conceito único que a defina como ciência, nem tão pouco possui de forma claramente demarcada o seu objeto de estudo.

         Existe sim, diversas “Psicologias”, fundamentadas como ciência de forma bem coordenada, a partir dos seus próprios pressupostos particulares de origem. Cada qual legítima, segundo os seus pontos de partida, convivendo umas com as outras, às vezes de forma competitiva e agressiva, outras vezes com contribuições mútuas, e em outras vezes, fechando-se sobre si mesmas, formando “igrejinhas” teóricas  herméticas.

         Para demonstrar que existe uma linha de progressão de uma visão materialista para uma visão espiritualista na história da Psicologia, será necessário discorrer brevemente sobre cada uma dessas tendências.

         A moderna Psicologia científica em seus primeiros anos de existência baseava-se num modelo quantificador, atomicista e mecanicista (Figueiredo, 1991). Era um modelo que tentava concordar com os conceitos de ciências exatas e naturais que surgiam como conseqüência de movimentos sócio-econômicos como o Renascimento e o Iluminismo. Procurava-se fazer da Psicologia uma ciência exata e natural.

         Essa matriz de pensamento orienta o pesquisador para a busca da ordem natural dos fenômenos psicológicos e comportamentais na forma de classificações e leis gerais com caráter preditivo.

         Na matriz de pensamento quantificadora as operações caracterizavam-se pela construção de hipóteses formais (acerca de relações empíricas ou de mecanismos subjacentes), a dedução exata das conseqüências destas hipóteses, na forma de previsões condicionais (cálculo), e o teste (mensuração). Esse processo encontramos nos primeiros esforços da psicometria de Christian Wolff (filósofo alemão do século XVIII), que esperava elaborar a mensuração dos graus de prazer e desprazer , perfeição e imperfeição, certeza e incerteza.

Também  é característico, dessa fase, a obra do fisiólogo E. H. Weber (1795-1878) que, pela primeira vez, efetuou medidas precisas das relações entre diferenças na intensidade (objetiva) de um estímulo e a sensação (subjetiva e percebida)  destas diferenças.

G. T. Fechner (1801-1887) expandiu os trabalhos de Weber, criando um novo ramo científico – a psicofísica, que é a ciência exata das relações funcionais de dependência entre o mundo físico e o psíquico, em que o evento físico era medido e controlado com os instrumentos da física, e o evento psíquico era indiretamente registrado mediante o relato verbal dos sujeitos experimentais que recebiam como tarefa discriminar da forma mais precisa possível as variações quantitativas a que eram submetidos os estímulos em estudos paramétricos.

O estudo experimental das sensações – característico da matriz de pensamento quantificadora na Psicologia – permaneceu na segunda metade do século XIX e continua até hoje uma área de pesquisa muito ativa e rigorosa, onde tem-se produzido os seus melhores resultados. Em acréscimo, a psicofísica tem estimulado áreas adjacentes a  adotarem métodos experimentais e de análise semelhantes, o que contribui para a expansão do pensamento matemático na psicologia (Figueiredo, 1991).

Ainda, seguindo uma matriz de pensamento quantificadora, temos a obra do fisiólogo (convertido em psicólogo), W. Wundt (1832-1920) que muito contribuiu para a Psicologia Experimental. Seu objetivo não era estabelecer as equivalências comuns da psicofísica, mas sim o de medir os fenômenos mentais em si.

Já mais próximo ao final do século XIX, a aprendizagem associativa esteve submetida ao estudo experimental quantificado por E. L. Thorndike (1874-1949) em seus trabalhos com peixes, gatos, pintos, cães e macacos.

A partir da mesma época, mas numa linha de investigação completamente independente, dois fisiólogos russos, I. P. Pavlov (1849-1936) e W. M. Bechterev (1857-1927) iniciaram o estudo experimental do condicionamento por associação entre estímulos.

Os trabalhos dos russos juntos com o de Thorndike estão na origem de toda a psicologia experimental behaviorista nos EUA e representam o pleno estabelecimento dos procedimentos quantitativos no estudo do comportamento e dos processos mentais.

(continua…)

3 Comentários »

  1. Belo blog sobre psicologia!

    Frequentarei aqui mais vezes!

    Esse post realmente tem a ver com o que eu procuro sobre psicologia!

    se quiser que eu publique algo de sua autoria, é só falar que eu coloco no meu blog com sua identificação e endereço do blog!

    da uma olhada no
    http://psicologiaparatodos.orgfree.com/blogpsicologia

    (troquei o endereço, o antigo já era)

    quem sabe podemos trocar links!*-*

    abraços

    Gabriel

    Comentário por bields84 — 26 de agosto de 2010 @ 21:34 | Responder

  2. Este arquivo é muito pertinente porque descreve estudos sobre: Esboço histórico da Psicologia, não só encontramos também conceptualizações de diversos autores que deram grandiosos contributos para a autonomização da Psicologia como ciência & às evoluções da mesma como ciência…

    Comentário por Leodgar Gonçalves — 25 de maio de 2012 @ 21:10 | Responder

  3. Muito bom !… Continuarei aqui mais vezes

    Comentário por Augusto jose — 12 de maio de 2013 @ 7:51 | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: