ARQUIVOS DE ADALBERTO PESSOA

18 de junho de 2010

Notações Técnicas e Conceituais sobre Astrologia Vocacional

Filed under: Astrologia — arquivosdeadalberto @ 2:26

            A astrologia vocacional pode ser definida como uma especialização da Astrologia voltada para o auxílio na (1) escolha das orientações profissionais e (2) decisões pessoais existenciais e práticas que permitam a satisfação da realização de vida.

            É uma das áreas mais pragmáticas da Astrologia, e de grande utilidade, pois pretende integrar o objetivo da escolha profissional com o da realização pessoal, incluindo o alcance do sucesso, entendido como autorealização ou satisfação.

            É uma especialização útil tanto para quem quer (1) descobrir a sua vocação profissional, como (2) para quem quer reorientar sua carreira, em qualquer época ou idade da vida.

            A escolha vocacional não é uma área clivada (separada) da existência, mas ao contrário é bastante interligada com todos os setores da vida – material, intelectual, emocional e espiritual – devendo, por isso, incluir todos esses contextos em um entendimento holístico e sistêmico. O que justifica a existência de uma área chamada Astrologia Vocacional é a especificidade do conjunto de recursos técnicos dessa especialidade, que é ao mesmo tempo amplo, variado, mas bem focalizado, objetivo e eficiente.

            Embora a Astrologia Vocacional seja um campo autônomo e autosuficiente, por si mesmo, uma abordagem interdisciplinar com a Psicologia, a Administração Empresarial e a crítica Filosófica são altamente produtivas e convenientes. Os limites desse texto, porém, irão focalizar aspectos técnicos e conceituais.

            Uma outra área, a Psicologia Vocacional também possui o objetivo de ajudar o cliente a fazer escolhas profissionais orientando e aconselhando sobre suas decisões. Tradicionalmente a Psicologia usa como ferramentas técnicas os testes ou inventários de personalidade, inteligência ou motivação (testes psicológicos), enquanto a Astrologia Vocacional faz uso do mapa astral.

            Essas ferramentas deram a princípio um caráter instrumental, tecnicista e utilitarista tanto à Psicologia como à Astrologia (especialmente à Escola Clássica). Tal direção foi alimentada modernamente também, pela ideologia consumista de massas, mas isso tem se modificado.

            Na Psicologia Vocacional a ênfase no uso de testes psicológicos tem sido cada vez mais desestimulado, e de certa forma já está ultrapassado, sendo que o enfoque tem sido voltado para o diálogo relacional e compreensivo entre psicólogo e cliente, ou seja, busca-se resolver a problemática da orientação vocacional no processo dialético de interação entre cliente e psicoterapeuta, através de técnicas de análise de discurso. Essa abordagem compreende o cliente como um sujeito mais ativo (enquanto na abordagem centrada em testes, o cliente “passivamente” esperava uma resposta do psicólogo) e envolvido num contexto interativo, participativo, onde ele – o cliente – também participa da geração de suas próprias respostas, na verdade, já existentes dentro dele mesmo.

            Na Astrologia Vocacional, o enfoque tem guardado certa semelhança de direção, onde ao invés de se esperar que o mapa astral forneça todas as respostas sozinho, o que se faz é criar um enquadre mais interativo com o cliente, onde a resposta vocacional apareça incorporada à uma compreensão mais globalizante do contexto de vida e de destino do sujeito.

            Essa abordagem comum, tanto na Psicologia como na Astrologia Vocacional, permite que a vocação, definida como um “chamamento interior”, ganhe voz e se explicite, por si mesma. O suporte técnico do orientador vocacional será usado precisamente como um agente “facilitador” desse processo. Esse paradigma é fundamentado em uma orientação humanista de compreensão.

            Maurício Bernis enfatiza que a resposta vocacional deve refletir, primordialmente, os valores essenciais do cliente ou sujeito. Por valor essencial, Bernis entende ser “algo que o indivíduo possui dentro de seu SER que, quando associado a uma atividade diária, proporcionará satisfação pessoal e um estado de realização interior[1]. O autor esclarece que os valores essenciais são “conceitos psicoespirituais” que nascem com o indivíduo e, conseqüentemente, geram “necessidades básicas” a serem satisfeitas ao longo da vida. Assim, um único “Valor Essencial”, presente em um indivíduo pode gerar diversas “Necessidades Básicas”[2].

            Por exemplo, uma pessoa que tenha como Valor Essencial, a “importância das emoções”, tanto pode (1) desenvolver necessidades básicas de expressão de seus sentimentos nas Artes (sugerindo uma carreira ou vocação/chamamento artístico), como pode ter (2) necessidades afetivas de ajudar os outros (sugerindo vocações filantrópicas ou sociais), devido à sua própria sensibilidade. Assim, pode-se produzir tanto um artista, como um terapeuta ou até, um ARTE-TERAPEUTA ou um ARTE-EDUCADOR.

            Observado por um prisma junguiano, diferentes profissões podem ter como base latente uma mesma estrutura arquetípica, o que equivale dizer (como mostrado no exemplo anterior), que diferentes necessidades básicas podem ser produzidos por um mesmo “Valor Essencial” (por sua vez, baseado num “arquétipo”). Ocorre que esses “arquétipos” ou “valores essenciais” podem ser simbolizados e/ou identificados pelos diferentes “pontos” (signos, casas, aspectos, etc) do mapa astral.

            Bernis também diferencia outros conceitos de suporte para o desenvolvimento de uma Análise Vocacional Astrológica. Ele diferencia a noção de Habilidade da de Vocação, mostrando que um indivíduo pode ter muitas habilidades (capacidades potenciais latentes), mas nem todas as habilidades de um sujeito estão diretamente relacionadas com a sua vocação ou “chamamento interior”. Deve-se fazer um “diagnóstico diferencial” de quais de todas essas habilidades podem suportar uma necessidade básica (vocacional). Segundo Bernis, as habilidades são ferramentas que o indivíduo dispõe, que podem facilitar a satisfação das suas necessidades básicas oriundas de seus valores essenciais[3].

            Bernis esclarece que, “as pessoas possuem mais de uma habilidade, senão várias, que combinadas em seu uso, para um fim único, podem ser uma ´alavanca´ para o encontro da felicidade (…) Em sentido prático, percebe-se que as habilidades podem ser muitas, mas a vocação é restrita a um objetivo de vida (…)”[4], ou seja, a vocação representa o uso focalizado de algumas dessas habilidades. Mas, a vocação está mais diretamente ligada aos valores e necessidades essenciais do que às habilidades, ou mesmo, à formulação profissional propriamente dita.

            Isso significa que na Análise Vocacional Astrológica é mais importante diagnosticar essas necessidades e valores essenciais, do que uma ou mais supostas profissões ou carreiras. Ou melhor ainda, a indicação profissional (vocacional) deve obrigatoriamente ser compatível ou norteada pelo diagnóstico desses valores e necessidades arquetípicos.  

            Por fim, Bernis ainda sugere que antes de identificar o conjunto de profissões compatíveis a certas necessidades básicas, é necessário diagnosticar o que ele denomina de “ambientes de trabalho” e “estilos sociais”, isto é, quais seriam os melhores “climas e ambientações de trabalho” segundo certos tipos psicológicos de personalidade (estilos sociais)[5].

            Assim, o autor define como conceitos fundamentais norteadores para o desenvolvimento de um laudo vocacional astrológico, os seguintes pontos:

1.      Valores Essenciais;

2.      Necessidades Básicas geradas pelos valores essenciais;

3.      Habilidades (ligadas à vocação);

4.      Estilo social e ambiente de trabalho adequado;

5.      Formação escolar e profissional, e por fim, a carreira propriamente dita.

Essas cinco noções descrevem um roteiro planejado que serve de eixo para a elaboração de um laudo final de orientação vocacional astrológico. Esses itens são identificados por dois procedimentos: (1) a análise do mapa astral e (2) a entrevista interativa com o cliente.

Nessa proposta, a análise do mapa astral é uma importante e eficiente ferramenta de condução da entrevista semi-dirigida, que inclui a participação ativa do entrevistado. Enfatizo que na minha interpretação, o mapa astral não deve fornecer todas as respostas sozinho, mas sim, que essas respostas devem surgir do próprio processo interativo astrólogo-cliente, com o apoio instrumental significativo do mapa astral.

Nesse contexto, é possível destacar alguns pontos do mapa astral a serem observados, em função dos conceitos norteadores para a elaboração da Análise Vocacional Astrológica.

I)        Valores Essenciais e Necessidades Básicas

 Os valores essenciais e as necessidades básicas conseqüentes, segundo Maurício Bernis[6], são diagnosticados pela análise do mapa astral como um todo. Porém, o autor destaca a observação da (1) Assinatura do mapa, (2) o enfoque de casas e (3) as proeminências astrológicas.

A Assinatura de um mapa astral é a resultante da contagem de pontos por elemento e modalidade, dos luminares, planetas, ASC. e MC. Embora haja polêmicas entre os Astrólogos sobre os critérios dessa contagem, todo astrólogo profissional deve adotar algum parâmetro.

Bernis, por exemplo, adota 3 pontos para Sol, Lua e ASC., 2 pontos para os planetas pessoais (Mercúrio, Vênus e Marte) e 1 ponto para os planetas sociais (Júpiter e Saturno), transpessoais (Urano, Netuno e Plutão) e para o MC. Esse autor adiciona mais 1 ponto ao regente do ASC., e aos planetas em conjunção ou oposição ao ASC., MC, Sol e Lua (indicadores de personalidade na abordagem Astropsicológica). Também adiciona 1 ponto a qualquer outro planeta que possua importância particular, tais como dispositor de stellium, planeta sem aspecto, planeta mais elevado, etc. O autor argumenta que dessa forma, nenhum mapa será (analisado) igual a outro, devido inicialmente ao próprio processo individual de análise quantitativa.

Astrólogos Clássicos, logicamente, não quantificariam os planetas transpessoais.

Eu, particularmente, atribuo 3 pontos ao MC, primeiro porque esse ângulo é bastante valorizado na visão Astropsicológica, e segundo porque o MC tem uma importância vocacional muito significativa conforme demonstra Marlene Masini Rathgeb[7]. Segundo essa autora, o MC representa simbolicamente o ponto mais alto que uma pessoa pode alcançar na carreira e na vida. Astropsicologicamente, considero que o MC representa o nosso modelo interno de sucesso e autorealização.

Além da quantificação da Assinatura Astrológica, o diagnóstico de valores essenciais (arquetípicos) e necessidades básicas conseqüentes, inclui:

1)      Enfoque de planetas, e sua quatificação, por Casas Terrestres (angulares, sucedentes e cadentes);

2)      Análise astropsicológica completa da personalidade: Sol, Lua, Asc. e MC, por signo, casas, aspectos, etc., com enfoque qualitativo (interpretativo);

3)      Eixo dos valores: Casa 2 – Casa 8;

4)      A análise do planeta Vênus (sempre) e Saturno (sempre);

5)      A análise de proeminências astrológicas (condições que mereçam destaque na análise do mapa astral, como stellium, dignidades planetárias, planeta sem aspecto, etc.), e as similaridades (isto é, temas e indicações que se repetem e se reforçam no mapa, dados por pontos distintos do horóscopo individual).

Ciça Bueno destaca algumas proeminências astrológicas que ela considera no trabalho de orientação vocacional. Essa autora enfatiza os planetas em ângulo ou angulares, localizados no ASC., MC, FC e DSC., ou Casas 1, 10, 4 e 7, nessa ordem decrescente de “força”. Assim, o ASC. ou Casa 1 é o ângulo mais forte, e o DESC. ou Casa 7, o menos forte dos quatro ângulos, mas ainda assim, mais forte e significativo que todas as Casas Sucedentes e Cadentes. Para Ciça Bueno e Márcia Mattos, qualquer planeta ligado ou presente às Casas Angulares são determinantes de escolha vocacional[8]

Bueno também destaca os Nodos Lunares, as “Casas Profissionais ou Vocacionais” (ASC., casas 2, 6 e 10 ou MC, e casa 5), os planetas regentes das Casas 1 e 10, e as similaridades[9].

Tanto Bueno quanto Bernis, concordam que a Casa 5 tem uma importante significação como casa de indicação vocacional, e deve ser considerada. Afinal, astropsicologicamente, a Casa 5 mostra como usamos nossos potenciais criativos e nos diferenciamos e nos individualizamos.

Especificamente, Ciça Bueno propõe considerarmos invariavelmente e sempre, a análise qualitativa/interpretativa de Saturno, porque esse planeta rege a “capacidade de concretizar objetivos profissionais”[10]. Já Maurício Bernis, propõe a recomendação de analisar sempre o planeta Vênus[11]; não fica muito claro no livro do autor, o porque dessa indicação, mas suponho que isso possa ter relação com o fato de que Vênus indique do que realmente a pessoa gosta e se motiva. Devo admitir que considero questionável essa última recomendação. Seguindo a lógica dos aforismos de Morin, eu só consideraria Vênus se, de fato, ele estivesse relacionado com outros fatores astrológicos vocacionais, já listados nesse texto. Mas, esse pode ser um tema para maiores pesquisas e observações.

Por fim, ainda na determinação de valores e necessidades essenciais, deve-se considerar o eixo Casa 2 – Casa 8, que revela como a pessoa se relaciona com valores pessoais e materiais seus e dos outros, mostrando como ela “valoriza” coisas e pessoas. Essa avaliação do eixo Casa 2-8, deve ser realizada de forma sistêmica com todos os outros fatores astrológicos levantados anteriormente.

II)     Habilidades Vocacionais

O diagnóstico astrológico das Habilidades Vocacionais é feito a partir do posicionamento dos planetas nas Casas e seus aspectos, e sua posição qualitativa por signos.

A Astrologia Tradicional, nesse ínterim, atribui importância especial para Mercúrio, notadamente nas habilidades de natureza manual e intelectual. Porém, dentro da noção de habilidades vocacionais, é preciso ir além de Mercúrio[12]. No âmbito da Astrologia Vocacional, o campo das habilidades profissionais pode estar sendo indicado pela análise da Casa 6 (signo na cúspide, regente, planeta na Casa, aspectos, etc). Mas, repito, o mapa como um todo deve ser considerado aqui.

III)   Estilo Tipológico ou Social e o Ambiente de Trabalho

Maurício Bernis discorre sobre a identificação do estilo social ou tipológico básico como critério para determinar o ambiente de trabalho mais apropriado, e mesmo, a especialização ou atividade profissional final[13].

Segundo o autor, os estilos sociais são: (1) o Tipo Diretivo, (2) o Expressivo, (3) o Amável e (4) o Analítico.

O tipo Diretivo é determinado, meticuloso e controlador; o Expressivo é sociável, entusiasmado e dramático; o Amável é apoiador, aconselhador, porém, razoavelmente conformista, e o Analítico é lógico, crítico, técnico e organizado.

A maioria das pessoas tem uma combinação variável de dois tipos, i.e., podem ser Diretivo-Analítico, ou Expressivo-Amável, Amável-Diretivo, Analítico-Expressivo ou qualquer outra combinação, num total de 16 (4×4) tipos sociais.

Bernis explica que, “astrologicamente, o estilo social é fruto da análise de todo o conjunto do mapa, dando-se preferência para o signo solar, ASC., MC, Assinatura, Stellium, Proeminências Astrológicas e para o Enfoque de Casas, uma vez que este indica a aplicação concreta da energia planetária”[14]

Assim, por exemplo, um indivíduo com predominância de planetas angulares e/ou em signos cardeais, poderia ser do tipo Diretiva. Mas, se tiver muitos planetas em signos de terra e ar (signos lógicos e racionais), pode ter uma “queda” para o tipo Analítico também. Nesse exemplo, pela análise da preponderância de indicações observaríamos se a pessoa é predominantemente Diretiva (Tipo Diretivo-Analítico) ou Analítica (Tipo Analítico-Diretivo), ou seja, nesse último caso, mais lógico e racional do que controlador e incisivo. Já com alta pontuação do elemento água ou da qualidade mutável, o Tipo Amável poderia ser mais predominante. E por aí vai… Bernis oferece vários exemplos em seu livro já citado[15].

Neste ponto, faz-se necessário avaliar o ambiente de trabalho mais adequado. Cada tipo psicossocial é compatível mais com um tipo de ambiente do que com outro. Alguns tipos precisam de um ambiente estruturado, convencional, enquanto outros tipos precisam de um clima livre a autônomo. Outros se adaptam a um ambiente menos estruturado, enquanto certos tipos precisam de um enquadre acolhedor e seguro. E essas variações podem ocorrer dentro de uma mesma carreira ou profissão. Basta pensarmos que o ambiente de trabalho ideal para um “Médico Analítico-Diretivo” não deve ser o mesmo, para um “Médico Amável-Expressivo”. Provavelmente, trabalharão em ambientes diferentes e buscarão especializações distintas. O primeiro pode ser um pesquisador na área médica, seguindo uma orientação cientificista, objetivista, enquanto o segundo pode preferir ser um homeopata, de orientação subjetivista.

Bernis sugere que o ambiente de trabalho ideal seja identificado levando-se em conta o estilo social, ao qual pode ser agregada a interpretação da Casa 6. Observa-se, empiricamente, que as características referentes ao estilo social já dão ótimos indicativos quanto ao sistema de trabalho aconselhável, contudo, a análise da Casa 6 é fundamental, porque além de ser o próprio ambiente de trabalho, é também o “sistema” de vida da pessoa[16].

Em meu trabalho particular prefiro utilizar para o mesmo fim, a referência dos Tipos Psicológicos Junguianos: tipos Sensação, Pensamento, Sentimento e Intuição. Além das disposições Extrovertido e Introvertido, como definidas por C. G. Jung[17]. Mas, detalhar esse aspecto é um tema que justifica outro texto a ser feito no futuro.

IV)  Perfil Escolar e Formação Técnica

Para finalizar, Maurício Bernis sugere analisar o perfil escolar e de formação técnica (incluindo cursos universitários, secundários, extra-curriculares, etc) através do estudo do eixo Casa 3 – Casa 9.

Formação, aqui, é definido pelo autor como “o conjunto de conhecimentos adquiridos ao longo da vida, por via sistemática escolar e pela experiência do próprio viver”[18].

O mapa astrológico indica, segundo Bernis, de forma clara, nas Casas 3 e 9 a formação (técnica, escolar ou acadêmica) mais adequada ao indivíduo em seu processo de evolução. Indica, inclusive, se haverá a perspectiva de desenvolver a carreira (indicada pela Casa 10), segundo essa formação (eixo 3-9).

O conceito de carreira é “o campo de ação onde o indivíduo irá aplicar seus conhecimentos e sua formação, não apenas de conteúdo técnico ou acadêmico, mas todo o conjunto de conhecimentos adquiridos ao longo de sua vida”[19].

A determinação da carreira, teoricamente, é o último ponto a ser definido na Análise Vocacional Astrológica, e está indicado pelo estudo da Casa 10 (signo, planetas, aspectos).

Rathgeb valoriza a análise do MC e critica a desatenção de alguns colegas astrólogos para esse ponto[20]. Aliás, na Astrologia Clássica, de fato, o MC é bastante enfatizado na determinação de orientação vocacional[21], embora, possamos supor, que os antigos não tivessem a concepção de trabalho vocacional, tal como a que temos modernamente, subjacente à estrutura dessa resenha.

Vale destacar que André Barbault confirma que no Tetrabiblos de Ptolomeu, no século II d.C., esse autor já enfatizava a importância do Sol, MC e casas angulares na escolha ou determinação da profissão (fato confirmado modernamente, pelas pesquisas estatísticas de Michel Gauquelim)[22].

Eu próprio, em minha prática, inicio a minha avaliação vocacional diretamente pelo MC e pelo signo solar, o que aparentemente contraria toda a ordenação do esquema que descrevi até aqui, porém, o quadro delineado é apenas uma referência “didática” inicial e relativa. Conforme a experiência profissional em aconselhamento vocacional se acumule, o astrólogo pode escolher manter esse modelo, ou adaptar uma síntese dialética de trabalho com dados da Tradição e modificações que traduzam sua própria experiência particular, o que, aliás, é o movimento mais comum. Assim, na minha experiência, concordando com Rathgeb, e mesmo apoiado tanto em conceitos da Tradição, como em pesquisas empíricas e “observações clínicas”, enfatizo e valorizo o MC e o signo solar, desde o início.

Sem dúvidas, a proposta de Análise Vocacional Astrológica, partindo da pesquisa de Maurício Bernis e agregando contribuições de outros autores (ver referências bibliográficas) é convenientemente prática, bem estruturada e eficiente. Em resumo, a proposta específica de Bernis, consiste em ajudar o cliente a desenvolver uma carreira, afinada com sua vocação, que no sentido mais abrangente, conjuga os valores essenciais, a satisfação das necessidades básicas geradas por esses valores, as habilidades, a formação escolar e a adequação social (tipológica).

De minha parte, que tenho tanto a formação em Astrologia (na Gaia-SP) como em Psicologia (pela USP), considerei toda essa proposta de Análise Vocacional Astrológica bastante compatível com o que se faz contemporaneamente na Psicologia Vocacional, o que sugere na minha visão, um prognóstico altamente promissor quanto ao diálogo interdisciplinar dessas duas áreas.

Concluo que o campo vocacional é um dos ramos mais práticos e eficientes de toda a Astrologia, com resultados sólidos, confiáveis e realmente úteis. Pessoas com dúvidas na escolha de uma carreira ou que queiram reorientar o seu caminho profissional podem contar com uma ferramenta que realmente funciona, com rapidez e efetividade: a Astrologia Vocacional!

Referências Bibliográficas

BARBAULT, André. Astrodiagnóstico de Orientação Profissional. Rio de Janeiro: Espaço do Céu, 2003.

BERNIS, Maurício. Astrologia Vocacional: escolha da profissão para obter realização pessoal. São Paulo: Roca, 2001.

BUENO, Ciça e MATTOS, Márcia. Vocação, Astros e Profissões: manual de astrologia vocacional. São Paulo, Agora, 2007.

RATHGEB, Marlene Masini. Os signos do sucesso: guia astrológico para o sucesso profissional. São Paulo: Ed. Pensamento, 1999.


[1] Maurício BERNIS, Astrologia Vocacional, p. 16.

[2] Ibid., p. 17.

[3] Ibid., p. 21.

[4] Ibid., p. 22.

[5] Maurício BERNIS, Astrologia Vocacional, p. 28-33.

[6] Ibid., p. 41-53.

[7] Marlene Masini HATHGEB, passim.

[8] Ciça BUENO, Vocação, Astros e Profissões, p. 17.

[9] Ibid., p. 23, 24.

[10] Ibid., p.24.

[11] Maurício BERNIS, Astrologia Vocacional, p. 50.

[12] Ibid., p. 54.

[13] Ibid., p. 55-60.

[14] Ibid., p. 56.

[15] Maurício BERNIS, passim.

[16] Maurício BERNIS, Astrologia Vocacional, p. 59.

[17] C. G. JUNG, passim.

[18] Maurício BERNIS, Astrologia Vocacional, p. 24.

[19] Ibid., p. 27.

[20] Marlene Masini RATHGEB, passim.

[21] Maurício BERNIS, Astrologia Vocacional, p. 75.

[22] André BARBAULT, Astrodiagnóstico de Orientação Profissional, p. 10, 31.

1 Comentário »

  1. Legal!:)

    Comentário por EdmundoDantê — 18 de junho de 2010 @ 11:06 | Responder


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